
Não sei ao certo o que acontece, mas desde sempre me vejo encantado com algumas coisas completamente exógenas a minha jovialidade presente. Presente porque ela não deixou de existir, mas por ser somada por esse fator que desconheço o porquê. Uma coisa é certa, ele existe. Uma paixão, um amor, um desabafo para as minhas mágoas, uma externalização de minhas alegrias, a forma poetizada de meus sentimentos mais puros, coisas que muitos podem até não entender ou achar que é caretice, mas que pra mim é de uma importância vital, a música. Sendo mais específico o samba.
Todos sabem que nunca deixei de gostar de qualquer tipo de música, afinal ela é uma forma de arte onde o criador pode demonstrar, muitas vezes até de maneira subliminar seus pensamentos, mas no samba encontro uma completa sensação de preenchimento alegre, com algumas gotas de desabafo e ao cantá-lo sinto como se estivesse só, num mundo paralelo e em contato comigo mesmo. É estranho, afinal não tem nada a ver com a minha época, são coisas que vem mais ou menos de 1920 ou 1930 pra frente, mas que tem em sua verve sentimentos tão puros que quase não se ouvem mais hoje em dia. Pode parecer saudosismo, loucura, ou sei lá o quê, mas ninguém venha me dizer que “Derê, Derê..” (Soweto) ou “Me liga, me manda um telegrama, uma carta de amor, que eu vou até lá...”(Exaltasamba) tem a mesma poesia impactante de “Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa do amor...” (Pixinguinha e Otávio de Souza). O sentimento pode ser o mesmo, mas a qualidade e a verdade das palavras é muito mais presente no que vem de tempos anteriores onde era mais valorizado o sentimento do que a forma comercial de compor.
Ao final de cada canção criada com carinho, muitas vezes por poetas de origem simples e humilde, mas que eram armados com o dom da palavra, também simples e não tão rebuscadas, mas com extrema e significativa profundidade e que para exemplificar posso citar vários como: Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Ataulfo Alves, Padeirinho, Darcy da Mangueira, Noca da Portela, Roberto Luna, Pixinguinha, Noel Rosa e um dos maiores mestres que foi mais destacado após ser "redescoberto" por Hermínio de Moraes enquanto lavava carros na garagem de um prédio, Cartola..., felizmente posso ouvir os aplausos a anunciar que consegui sentimentalizar uma canção, fazê-la chegar ao seu objetivo que é tocar um coração, interpretando à minha maneira.
Na foto acima, eu, retratado pelo amigo Ricardo Proença, na "Casa do Gilson", onde eu exercito minha paixão ao lado de alguns dos mais experientes músicos da cidade que lá exercitam sua arte. Eu os observo com atenção e sempre ouço seus conselhos e ensinamentos na intenção de cada vez mais aumentar meu conhecimento a respeito desta arte que amo. Considerem este parágrafo também um agradecimento a todos que contribuem para esta minha realização pessoal, acreditando na minha paixão e na minha capacidade.
A quem interesse a letra de um samba cantado por um grupo chamado |Os Originais do Samba|
Esperanças perdidas
(Délcio de Carvalho)
Quantas belezas deixadas nos cantos da vida
Que ninguém quer e nem mesmo procura encontrar
E quantos sonhos se tornam esperanças perdidas
Que alguém deixou morrer sem nem mesmo tentar
Minha beleza encontro no samba que faço
Minha tristeza se torna um alegre cantar
É que carrego o samba bem dentro do peito
Sem a cadência do samba não posso ficar
Não posso ficar eu juro que não.
Não posso ficar eu tenho razão
Já fui batizado na roda de bamba
O samba é a corda eu sou a caçamba
Quantas noites de tristeza ele me consola
Tenho como testemunha a minha viola
Ah se me faltar o samba não sei o que será
E sem a cadência do samba não posso ficar
Não posso ficar eu juro que não.
Não posso ficar eu tenho razão
Já fui batizado na roda de bamba
O samba é a corda eu sou a caçamba
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É isso gente, um graaaande abraço a todos os pacientes q lêem o que escrevo. Por gentileza comentem hehehehehehe =D
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